ARQUITETURA DO SANGUE
O frio sobe pela espinha e congela o calcanhar,
um nó de ferro na garganta impede o fôlego de entrar.
A boca seca, o gosto amargo, a saliva que sumiu,
enquanto o peito vira um soco que a costela mal mediu.
Suor gelado escorre lento, traça a linha do pescoço,
a pulsação na fonte vibra, estala a carne até o osso.
O músculo trava, a perna pesa, o mundo inteiro quer cair,
os olhos fixos no vazio, sem ter para onde fugir.
A ponta dos dedos formiga, o estômago despenca no chão,
a pele arreia, o sangue some, sobra apenas a pressão.
Um estalo surdo no ouvido...
E o próprio pulso vira solidão.
O músculo explode em revolta, as garras rasgam o chão,
a raiva engole o cansaço na marra da decisão!
O sangue esquenta as veias, o corpo se impõe de pé,
um soco que quebra a inércia e mostra o tamanho que é.
Arranca a máscara do medo, encara o monstro no olhar,
se o mundo quer que eu desabe, vai ter que me ver lutar!
E no topo do caos eu reino, coroa de fogo e suor,
a vida transborda nas veias, num brilho dourado e maior!
Sou o ápice, a fúria, o triunfo que a própria carne moldou:
o monstro que me assombrava... ajoelha pro deus que acordou!
Melek Kardesi
Enviado por Melek Kardesi em 26/10/2026
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