ONDE ESTÃO OS MEUS PASSOS
A terra úmida guarda o segredo do vento,
mas não desenha a rota que o corpo perdeu.
Onde estão os meus passos antigos, o intento,
que a relva alta cobriu e o tempo esqueceu?
O riacho canta a mesma cantiga mansa,
as folhas de jasmim perfumam o mesmo chão,
mas falta a pegada leve daquela infância,
a marca firme que trazia a direção.
Perdi-me nos campos de trigo e de poeira,
olhando as nuvens mudarem de cor e forma.
Deixei meu rastro fincado na cordilheira,
enquanto a alma buscava abrigo na tormenta.
As árvores velhas conhecem a minha história,
as raízes sabem do peso que o peito traz;
mas os meus passos sumiram da memória,
engolidos pelo mato que cresce em paz.
Volto os olhos para o horizonte sem fim,
o gado pasta, a tarde de ouro desaba:
se o chão não lembra o caminho dentro de mim,
que o vento me leve para onde a estrada acaba.
Melek Kardesi
Enviado por Melek Kardesi em 24/10/2026
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