ARQUITETURA DO AMANHÃ
O futuro não avisa quando chega,
instala-se em silêncio, pixel por pixel,
troca o operário pela malha fria
de uma rede que decide o que é útil.
A nova praça pública é um código,
um filtro que escolhe quem tem voz,
enquanto o sensor na esquina da avenida
calcula o batimento de cada um de nós.
Não há mais discursos na tribuna,
há métricas de engajamento e tela;
o voto virou rastro de dados,
e a liberdade, uma moldura de cela.
A promessa de progresso flutua na nuvem,
mas o chão continua rachado e seco;
o amanhã é um luxo de poucos,
comprado com o silêncio do beco.
Mas as máquinas não herdam a revolta,
nem o silício substitui o clamor;
enquanto houver um peito que resista,
o futuro será humano, seja como for.
Melek Kardesi
Enviado por Melek Kardesi em 24/10/2026
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