ARQUITETURA DO INVISÍVEL
O amor não é o traço firme do desenho,
mas o espaço que sobra entre as mãos dadas,
o silêncio que aceita o próprio empenho
de traduzir as horas mais cansadas.
Não mora no estrondo ou no cenário,
sustenta-se na ponta do detalhe:
o café que se adivinha solitário,
o avesso do casaco que agasalhe.
É linha que costura o dia frio,
geometria exata do que é livre,
maré que enche a alma e muda o rio,
fazendo com que o tempo em nós cultive
a pressa de voltar pro mesmo abraço,
a calma de saber que ali há cais,
um nós que desafia qualquer espaço,
sendo sutil, eterno e nada mais.
Melek Kardesi
Enviado por Melek Kardesi em 31/08/2026
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