O POR DO SOL
O sol morre de mansinho atrás da cordilheira,
Sangrando um resto de luz na copa do ipê,
A tarde desaba lenta, cansada e poeirenta,
No teto de telha grossa da casa de sapê.
A sombra dos eucaliptos estica-se pelo chão,
O gado rumina a mágoa sob o céu de cetim,
A luz vai virando cinza, num rastro de solidão,
Que deita sobre as fileiras do velho e seco jardim.
O poente é uma ferida que o horizonte ostenta,
Um adeus feito de fogo que logo vai apagar,
Enquanto a noite no campo, fria e sonolenta,
Vem fechar as janelas para o mundo chorar.
Melek Kardesi
Enviado por Melek Kardesi em 28/08/2026
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